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Declaração do Rio: declarar guerra ao medo Resolução da Assembléia Geral Na Assembléia Geral da Organização Internacional Nova Acrópole (OINA), celebrada no Rio do Janeiro (Brasil), em 9 de abril de 1993, adota-se a seguinte Resolução:Declaração Geral: Após os trabalhos que reuniram no Rio de Janeiro, de 9 a 11 de abril de 1993, mais de duzentas pessoas vindas de aproximadamente trinta países, desde o Japão passando pela França, Canadá e Peru, a Assembléia Geral de Nova Acrópole adotou por unanimidade a seguinte declaração sobre a situação atual do mundo designada como: "Declaração do Rio". Declaração do Rio: A queda do muro de Berlim, a guerra do Golfo, as recentes operações humanitárias na África, o retorno à democracia em quase todos os países da América Latina, as perspectivas da Cúpula do Rio sobre a ecologia foram interpretadas por muitos, depois de tantos anos de guerra fria, como os acontecimentos simbólicos do nascimento de uma Nova Ordem Internacional capaz de criar um mundo mais justo e com maior bem-estar para todos. Infelizmente os fatos estão desmentindo essas esperanças e nos encontramos vivendo uma nova "Era do horror". Hoje os seres humanos têm medo dos seus semelhantes e o que mais nos alarma é a situação generalizada de violência e crueldade em todos os lugares do mundo. Se antes podíamos falar de um povo mais terrível que outro, hoje tudo se mescla e o infortúnio se estende por todo o planeta. As guerras existiram sempre; mas as guerras atuais estão mais sujasdo que nunca. Não se trata de confrontos, mas sim de fórmulas de tortura generalizada nas quais não intervêm sozinhos os combatentes, mas toda a população que, bruscamente, em uma situação de guerra, transforma as pessoas em selvagens, abusando dessas condições terríveis até alcançar um verdadeiro pesadelo. Sempre existiram criminosos, mas hoje todo crime implica em um aditivo de tortura. É como se matar não fosse suficiente. No momento, torna-se difícil pensar que são seres humanos que cometem esses delitos, e não é que sejam incapazes de cometer delitos, mas o que chama a atenção é a falta de escrúpulos com que são cometidos. À medida que nossa época balança, esses sintomas de crueldade aparecem em pessoas cada vez mais jovens, em adolescentes, em meninos, e ninguém escapa dessa onda de maldade que parece ter um caráter de epidemia. O que aconteceu para que os homens tenham mais medo dos humanos do que de outra coisa? O que morreu nos seres humanos para que pareçam cadáveres sem futuro, porém ativos e malvados? As normas morais não existem e aquelas que conseguiram subsistir não são mais que paródias de regulamentações inúteis no mundo atual. A educação é um subproduto da robotização dos meios de vida e dos costumes. Ela não transforma o indivíduo, apenas oferece alguns elementos necessários para sua subsistência. As experiências religiosas e místicas ficaram confinadas a alguns grupos ou subgrupos sectários. Acreditamos que a morte dos valores é a oportunidade de manifestação do espírito humano. Eis aqui o motivo pelo qual surgiu o medo; porque os homens desconfiam dos seus semelhantes; o ser humano sente horror do vazio, sentindo-se incapaz de manifestar seu espírito. Nossa cultura cega não é capaz de ver mais que as formas e já não sabemos distinguir os homens, cujas almas foram apanhadas por homens-máquina. É urgente tomar consciência de que a chave do desenvolvimento não depende do suporte financeiro ou tecnológico, mas fundamentalmente do interesse dedicado ao desenvolvimento do fator humano, potencial único que reside em cada indivíduo. Não devemos esquecer que 80% dos orçamentos aprovados para a ajuda social, econômica e médica dos países do terceiro mundo não chegam jamais àqueles que a necessitam, e milhares de dólares são dilapidados, tudo isso por causa da corrupção das "elites locais" ou da falta de preparo humano, técnica do pessoal encarregado e da falta de formação das populações às quais se busca ajudar. A débil integridade e responsabilidade das equipes que se encarregam de administrar e organizar essas ajudas traiu a confiança dos povos, não somente da perspectiva de seus líderes e de suas instituições, mas também de sua capacidade de trabalhar pelo interesse do bem público, o que tem feito surgir o egoísmo e a indiferença, assassinando os valores da solidariedade, quão únicos através da história demonstraram ser capazes de empurrar as sociedades para o progresso e o bem-estar. Como pode-se constatar, as falhas não são mecânicas ou tecnológicas, mas totalmente humanas. A sociedade moderna excluiu o fator humano como fundamento do desenvolvimento de toda sociedade. Nova Acrópole propõe uma revolução das mentalidades que permita reintegrar os valores da fraternidade e do humanismo com a finalidade de pensar e de atuar de um modo diferente que nos permita sair do círculo vicioso do consumismo que asfixia nossas consciências. Estamos convencidos de que o homem não se alimenta apenas de pão e devemos declarar guerra ao medo. |