• 10 de julho de 2015

Assegurando que podia perceber tal melodia, Pitágoras dizia que os astros, durante seus deslocamentos, emitiam certos sons harmônicos, aos quais a tradição havia dado o nome de Música das Esferas. Devido à excepcional qualidade humana e filosófica alcançada pelos pitagóricos, que sempre tiveram por modelos de vida, o feito de que Pitágoras ensinara a seus discípulos a captar tal musicalidade, talvez nos indique que somente possa ser percebida por aqueles que tenham afinado suficientemente os sentidos da alma. Neste artigo nos limitaremos a mostrar seu cálculo matemático.

A Música das Esferas de Pitágoras terá sentido para nós, se ordenarmos os planetas de acordo com o valor denominado “alfa planetário”, que é a relação entre as distâncias de cada planeta ao Sol dividido pelo seu próprio raio. Com isso conseguimos relacionar a distância de cada planeta à sua estrela com o seu próprio tamanho. Uma vez feita dita tabela, e ordenada de menor a maior, resultam alguns valores que podem expressar-se como múltiplos ou submúltiplos das frações (2/3), ou melhor (3/2) transformando-se então os ditos valores na série de números seguinte:

(1/2) x (3/2) 2;
4 x (2/3) 2;
(3/2) 2;
(2/3)

que expressa a conhecida Gama Pitagórica musical de intervalos de freqüência de quintas, hoje não usada, a não ser para afinar instrumentos, ainda que tenha sido de uso comum em na época dos pitagóricos.
Isto nos demonstra que a relação entre sua distância ao Sol e seu tamanho, segue uma série de freqüências de tipo musical, ainda que não as possamos apreciar, o seu movimento de rotação proporciona uma emissão musical, que os antigos souberam apreciar, dado que retiravam seus modelos musicais da natureza.
Segundo afirmavam os pitagóricos “o universo foi construído com ritmo e harmonia e as esferas em seus giros produzem música”. Consideravam também que todo som primordial dava lugar a outros sons harmônicos que o acompanham embora apenas sejam audíveis para o ouvido humano, e assim consideravam os planetas como sons harmônicos que apareceram acompanhando a formação de um som primordial no instante em que se gestou a estrela principal, o Sol. Tal era, para eles, a relação que guardavam, que dá também idéia do enlace e subordinação dos planetas à hierarquia interna do Sol, pois não a concebiam como mera subordinação física.
Especulemos um pouco: supondo que cada um dos planetas, segundo suas densidades e tamanhos, mantinham tensa a corda imaginária que os unem ao Sol, ao fazê-los girar mantendo fixa a corda no centro solar, tal corda teria maior ou menor tensão, e portanto maior ou menor freqüência de vibração, mas estaria de fato vibrando e, consequentemente, emitiria um som, ainda que não fosse apreciável para nós. Esse som costuma ser um som composto: um som principal, que é o que percebemos, acrescido de outros chamados harmônicos. Contudo, o quê são os harmônicos?
De fato, todo som fundamental vai acompanhado de uma série de sons harmônicos, que estão unidos ao fundamental de um modo consubstancial, separados por distintas e exatas freqüências (do 1º ao 2º uma 8ª, do 2º ao 3º uma 4ª, etc.) até serem quase inapreciáveis e extinguirem-se.
“Se relacionamos o primeiro som fundamental com a gestação do Sol, – pressupondo que um som possa aglutinar a matéria ou organizá-la, ainda que não saibamos como -, os sons harmônicos surgidos conseqüentemente guardariam relação com os planetas, dado que seu tamanho e distância ao Sol – essa corda imaginária – fazem com que vibre ao deslocar-se pelo espaço.
Se pensarmos que o Sol é o centro pensante que mantém os planetas em rotação, e os sujeita a isso, ainda que pudessem ter seu grau de autonomia, a corda imaginária teria certo grau de realidade.
Há quem possa pensar que esta ordem dos tamanhos dos planetas e suas distâncias até o Sol em múltiplos proporcionais a (3/2) ou seu inverso (2/3) é casual. (Nota: Sendo que 3/2 significa ou indica uma relação de freqüências entre o 3° som e o 2º som da serie harmônica, de onde o 3° som tem 3 vezes a freqüência que o 1º, ou fundamental; o 2º dupla freqüência vibratória que o 1º; e o 3º e o 2º estão em relação de freqüências de 3/2). Contudo, um exemplo nos fará entender sua pouca casualidade:
Exemplo: a ordenação dos planetas ao redor do Sol é como se este fosse um juiz que desse a largada numa corrida de atletismo e seus corredores, que giram pela pista, seriam os planetas. Os corredores portam um fone de ouvido de rádio que somente pode sintonizar alguns canais de emissão radiofônica específica para cada um deles, e diferente ao dos outros corredores.
O juiz pode dar a largada disparando seu revólver, ante o qual se produza um som de largada (ao que chamaremos fundamental). Imaginemos que conforme fosse o som inicial os participantes se dispuseriam a correr, mas de tal modo que se adiantariam ou atrasariam sua velocidade até se encontrarem no lugar onde poderiam sintonizar uma freqüência determinada com seu fone de ouvido, pois situados a dois metros após ou ao lado desse local, isso os impediriam de captar sua sintonia.
Se além disso cada um dos corredores captasse uma sintonia com freqüências proporcionais, como um som harmônico diferente, e portanto girasse pela pista guardando certas distâncias relativas entre eles (a 3ª posição escuta uma sintonia 3 vezes maior que a freqüência do disparo; a 2ª posição o dobro, etc.), ou seja, certa ordem musical, nos pareceria confuso que estes corredores soubessem interpretar esta bela sinfonia conjuntamente.
Se além disso esta ordem dependesse do corredor, de seu tamanho, aspecto, e fosse inclusive diferente sua distribuição segundo fosse o tipo de som do disparo de largada, pensaríamos que haviam se ordenado assim de modo casual? Não, mais chegariam ao final de um modo harmônico se houvessem entrado em acordo previamente, ou seja, através de um plano predeterminado. Pensaríamos então que chegaram à meta de modo casual ou que nos falsificaram o resultado?
Em resumo: cremos seriamente que não há tal casualidade. Visto assim em seu conjunto o Sistema Solar seria portanto uma harmonia pictórica, de formas e tamanhos equilibrados, que deslizando-se com velocidades ou um ritmo proporcional, causa uma harmonia musical. Mas, sobretudo, observa-se que o conjunto está desenhado sobre a base de proporções numéricas.
Há, portanto, em nosso pequeno cosmo uma simples e profunda beleza propiciada pelas medidas e proporções, que somente um homem mais simples e profundo, como foi o homem grego, seria capaz de conceber. Nossos tecnicismos atuais e o excesso de dados bloquearam a simples concepção que nos mostra por quê e para quê acontecem as coisas, além de saber descrevê-las.

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