• 12 de maio de 2017
Platão e Aristóteles discutindo. Detalhe de um baixo-relevo de Luca dela Robbia, século XV, Florença, Itália.

Platão e Aristóteles discutindo. Detalhe de um baixo-relevo de Luca dela Robbia, século XV, Florença, Itália.

Embora digam que a filosofia não é prática e que não serve para nada, continuamos perguntando: e as grandes questões, as grandes inquietações… Onde são respondidas? Que fazemos com aquilo que nos aflige quando nos encontramos a sós conosco mesmo e nos perguntamos sobre o porquê da vida, da morte, da dor, do envelhecimento e das coisas que conosco ocorrem? Por que há sofrimento, e por que se pode passar do sofrimento à alegria, e da alegria ao sofrimento, e que é que nos conduz como um vento de uma coisa à outra? Por que temos medo e por que duvidamos…?

E quando surgem estas perguntas, ou as respondemos ou vivemos perpetuamente angustiados por termos lançado uma cortina diante dos nossos olhos, tentando não ver o mais importante.

Quando há dúvidas, não há outro remédio que perguntar. Quando Sócrates dizia “Só sei que nada sei”, não o dizia por conformar-se com nada saber. Trata-se de um reconhecimento de que o que não se sabe é um ponto de partida: “Vou saber mais porque necessito de mais”. Embora passem os séculos, o ser humano continuará levantando estas questões. E basta que nos exijam uma resposta para que a filosofia se torne útil, prática e necessária.

A filosofia é a grande educadora; é a que nos ensina. Não vamos chegar a ser Sábios, mas pelo menos teremos alguns temores a menos, algumas dúvidas a menos; não vamos olhar a Grande Verdade, mas começaremos a ter algumas certezas.

Uma boa educação forma e transforma. Uma boa educação é alquimia interior; depois de aprender não podemos ser iguais a antes. E se continuamos iguais, é porque não aprendemos nada, é porque memorizamos um monte de coisas e não sabemos nada. Essa educação formativa, de transformação, como nos dizia o professor Livraga, não é uma educação para ser imposta às pessoas; não se pode torcer a personalidade humana.

Em todo caso é uma educação que tem de nos libertar de muitas amarras e de muitas deficiências, de muitas inseguranças e temores. Quando se consegue largar esses pesos, desamarrar a embarcação, a Alma se sente livre. Essa educação formativa tem que nos ajudar, temos que aprender a aprender. E temos que aprender com a prática, porque estamos ficando muito sedentários. Falta-nos a experiência. Temos que chegar a ser nós mesmos.

Autora: Delia Steinberg Guzmán

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