• 10 de julho de 2015

Hoje as ciências adiantaram que é uma barbaridade, diziam nossos avós. E esta afirmação podem comprovar os leitores desta seção da Revista Esfinge, ao conhecer de primeira mão as mais recentes investigações científicas, às vezes extraordinariamente sofisticadas, às vezes muito simples, mas sempre surpreendentes. Devo reconhecer que de todos estes descobrimentos tenho uma especial predileção por aqueles que são o fruto de um árduo labor de investigação, as vezes lenta e custosa, mas que dão seu fruto ao ser aplicadas a outro campo distinto de sua finalidade original. Estes descobrimentos não sempre são fruto de azar ou dessa casualidade científica denominada serendipidade e a que também dedicamos outro de nossos artigos. São, contudo, o resultado da utilização de uma inteligência global que vai mais além da típica especialização científica. Neste mês veremos um dos casos de investigação em um campo e aplicação em outro, em uma primeira impressão bem distintos. Seu campo de desenvolvimento é a Inteligência Artificial (I.A.), porque guarda um interesse em especial, como terão comprovado nossos leitores. Deixando de lado as implicações de caráter filosófico, o verdadeiro desafio da IA e seu principal campo de desenvolvimento é a Robótica. Como já vimos, em geral o reconhecimento de padrões (modelos) e em particular a visão artificial são os grandes obstáculos de uma máquina para tentar imitar o homem. Imitar é algo que aprendemos desde os primeiros meses sem esforço, porque em outros campos como o armazenamento e manejo de informação ou em potência de cálculo há anos que nos superaram os computadores. Conseguir que um robô possa distinguir um objeto do ambiente e identificá-lo como o esperado é algo muito difícil para uma máquina, mas que um bebê realiza com alegria quando vê sua mãe se aproximar. Nesta ocasião, a investigação foi levada a cabo pelo prestigioso Instituto de Robótica da Universidade Carnegie Mellon em Pittsburg, Pennsylvania (www.ri.cmu.edu), e o cientista que lidera o projeto chama-se Vladimir Brajovic. Dentro da melhora dos sistemas de visão, e utilizando princípios físicos de formação de imagens ópticas, conseguiu-se imitar o processo de visão que leva a cabo o olho humano. O curioso é que este processo de visão e de reconhecimento de contrastes e ajuste de cores imitando o olho humano não foi utilizado somente para ajudar os robôs a ver e identificar melhor os objetos, mas também para melhorar as imagens fotográficas, em especial aquelas que por uma iluminação deficiente são muito escuras. Desta forma foi criado um programa de informática conhecido como Shadow Illuminator (literalmente “iluminador de sombras”) e que se pode ter acesso gratuitamente através do site www.shadowilluminator.com. Este programa examina o conteúdo de uma fotografia, estima as condições de iluminação e depois aumenta o brilho das sombras, tomando daí seu nome. Da imagem original, o programa estima a iluminação e corrige cada pixel (o ponto de menor extensão de que se compõe uma imagem e que pode adotar varias cores) produzindo um resultado tal como se a cena da foto tivesse sido uniformemente iluminada. No se trata tão somente de realizar outras tarefas automáticas que realizam habitualmente os programas atuais, como a correção do brilho, o contraste, a saturação, etc. É tudo isso, mas realizado da forma que faria um ser humano com um programa sofisticado (como o Adobe Photoshop), selecionando diversas áreas, mascarando o resto e modificando seu aspecto. O resultado é bastante superior devido ao uso de sofisticados modelos matemáticos que simulam como o olho percebe as imagens e sem produzir “halos” ou “auras” ao redor das bordas de cada objeto, como temos comprovado em outros programas. Acredito que este avanço será muito bem recebido pelos aficcionados da, outro fenômeno que está revolucionando a tecnologia da fotografia, nascida há uns cento e cinqüenta anos e que apenas havia mudado nos últimos cinqüenta. A todos aconselhamos que visitem a página www.shadow.org: não ficarão desapontados com este programa.

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