• 1 de maio de 2017

Tradicionalmente (no hemisfério norte) Maio é o mês das flores, o mês da Primavera por excelência. E não recorremos a estas expressões como simples imagens literárias tantas vezes repetidas, mas pretendemos buscar o sentido simples e real da Primavera e da flor. Como os filósofos à moda antiga, tão velha que já é outras vez nova, queremos a resposta direta da Natureza para a sede de conhecimento que dorme em nós.

É verdade que a Primavera é o despertar após o sonho que supõe o frio inverno. Também é verdade que no homem existem despertares cíclicos que sucedem a períodos obscuros ou de letargia. Um despertar é sempre belo, porque supõe luz, atividade, renovação, movimento…

Mas uma vez despertos, como focar e continuar com a ação? Uma vez nascida a Primavera em nós, como torná-la duradoura?

Talvez o maior mal dos homens consista em querer começar muitas coisas, mas não poder continuar com elas. Porque o começo supõe pouco esforço e, além disso, tem o atrativo da novidade, enquanto que a continuação do trabalho é sinônimo de paciência e experiência, de sacrifício e responsabilidade… E é então quando se evita a dificuldade da continuidade com a busca do novo, simplesmente pelo que tem de novo.

A linguagem da flor nasce com a Primavera, ela é fruto de um despertar, mas sua função não termina aí. Pacientemente, dia após dia, a flor se envolve em luta com os elementos adversos para se elevar verticalmente até o seu destino de sol e expansão. A flor vem da terra; a flor começa como pequena semente, mas não se conforma com continuar sendo semente, senão que se abre em pétalas de perfume e cor. A flor usa de todas as suas forças para chegar até o céu, apesar das raízes que a prendem fortemente… E também a flor morre quando acaba o seu ciclo…. Como morrem os homens, como acabam cedo ou tarde as dores da vida, como vem a piedosa noite após os quentes raios solares.

No entanto, nada é morte na Natureza. Tudo são ciclos. A flor que reduz o brilho das suas pétalas retorna à terra primogênita, guardando em seu seio a semente de igual estirpe da flor inicial. Assim, o homem que cresce verticalmente, como as flores, não conhece a morte, e suas mudanças são formas de evolução que, ciclo após ciclo, repetem a mesma flor, cada vez mais brilhante, mais pura, mais perfumada. Como Maio, como as flores, como os homens…

Autora: Délia Steinberg Guzmán

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